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Nos diários de campo fiz anotações de ideias e acontecimentos que marcaram o meu quotidiano ao longo deste ano lectivo....algumas foram importantes no momento, outras são para guardar e reflectir mais tarde...outras apenas notas de humor - que fazem tanta falta :)
Nos diários de aula, foram relatados sinteticamente os conteúdos mais relevantes abordados em alguma das aulas de Didática das Artes Plásticas I, quer pela docente quer pelos colegas. Algumas das abordagens foram também transpostas ou deram origem a comentários nos diários de campo.
Nos diários de campo fiz anotações de ideias e acontecimentos que marcaram o meu quotidiano ao longo deste ano lectivo....algumas foram importantes no momento, outras são para guardar e reflectir mais tarde...outras apenas notas de humor - que fazem tanta falta :)
Nos diários de aula, foram relatados sinteticamente os conteúdos mais relevantes abordados em alguma das aulas de Didática das Artes Plásticas I, quer pela docente quer pelos colegas. Algumas das abordagens foram também transpostas ou deram origem a comentários nos diários de campo.
Diário de Aula
14 de Fevereiro
Foram lidas algumas das cartas endereçadas ao professor, universitário ou do ensino secundário, consoante escolha de cada aluno. Depois de cada leitura foram abordadas questões referentes ao perfil do professor referido, e outras questões subjacentes ao contexto e experiências escolares e pessoais de cada aluno, remetendo-as para abordagens mais gerais, transversais a todos os alunos, sendo o grupo convocado para tecer as suas considerações acerca destes relatos.
Foram assim descritos trabalhos elaborados por cada aluno, descritos traços de carácter e os pontos mais marcantes, que servirão para cada um de nós, agora professor, tomar como exemplo, ou não repetir.
Foi entendido que este professor referência foi importante no passado, mas que continua a servir de modelo no quotidiano profissional, ou é relembrado como exemplo a seguir no início de carreira pelos colegas que se iniciam na docência.
Este modelos dizem respeito por um lado aos exercícios elaborados pelos colegas enquanto alunos deste professor, mas também pela sua postura no relacionamento pessoal, na afirmação de valores.
Esta referenciação aos professores é essencial para a formação, uma vez que a identificação nos possibilita uma ancoragem para crescimento pessoal/profissional. Mais essencial se revela quando a muitos dos colegas que estão neste curso não foi previamente oferecida qualquer formação em didática.
No entanto ela é insuficiente para uma progressão crítica e sustentada, que permita com bases mais sólidas um mais eficaz e acelerado desenvovimento pessoal do docente, a qual necessita de uma actualização científica, e reflexão pessoal e entre pares (reflexão essa em falta nas escola).
21 de Fevereiro
Deu-se continuação à actividade anterior, analisando-se a carta endereçada a um professor. Neste sentido foram integrados os modelos de ensino/ perfil de professor que seguidamente iriam servir como guia para análise do professor referenciado na carta.
Em aula foi discutido entre os colegas e professora que a construção do conhecimento, atitudes e competências devem ser guiada, e mesmo servir-se de um modelo de professor uma vez que as crianças e jovens adoptarão outros modelos e beberão de outras fontes, se não for o professor a proporcionar-lhes alguma referência. Assim é preferível que o aluno consiga, com a ajuda do docente, organizar esses “input”, garantindo-se assim a qualidade e oportunidade dos mesmos – sabendo nós que há sempre um currículo oculto que será mobilizado pelo próprio aluno no seu percurso pessoal.
Devemos assim orientar e apresentar e dar a conhecer propostas, soluções para “influenciar” positivamente o aluno. O mesmo se passa com os valores.
Abordámos então os vários modelos: o que se prende com a aprendizagem através da repetição em acção – onde podemos incluir disciplinas de cariz prático, mimético – com ênfase na aquisição de conteúdos (academismo – professor especialista tradicionalmente sem formação didática), nos procedimentos (Racionalidade tecnológica – professor com técnico que pretende objectivar os resultados dos alunos) ou ainda na experiência (racionalidade prática – professor tipo artesão que sedimenta o saber com o tempo. Este último tipo pode ainda incorporar uma reflexão decorrente da análise da experiência prática).
Um pouco em contraponto à referidas temos outros dois paradigmas de professor, que remetem para uma análise pessoal. Direi que um está mais centrado no indivíduo, dando o seu contributo e trabalhando com as suas qualidades psicológicas e vivencias – professor personalista – e outro está mais centrado no meio com uma observação e comprometimento com o que o rodeia e que estimula a que os alunos se posicionem, emitam opinião, percebam os fenómenos que conduzem às várias realidades, desmontando-as, de modo a exercitarem a construção de uma opinião crítica.
Um pouco em contraponto à referidas temos outros dois paradigmas de professor, que remetem para uma análise pessoal. Direi que um está mais centrado no indivíduo, dando o seu contributo e trabalhando com as suas qualidades psicológicas e vivencias – professor personalista – e outro está mais centrado no meio com uma observação e comprometimento com o que o rodeia e que estimula a que os alunos se posicionem, emitam opinião, percebam os fenómenos que conduzem às várias realidades, desmontando-as, de modo a exercitarem a construção de uma opinião crítica.
Foi ainda nesta aula abordado o contributo de Ken Robinson para o repensar da educação, e do trabalho docente tal como é programado e vivido na escola. O visionamento dos seus vídeos, apontaram algumas ideias, que estão na base de uma inquietação actual, comum a muitos especialistas, como também a muitos dos novos docentes, recém formados e pouco experientes, que têm mais presente a sua situação enquanto recém estudantes, e agora no papel de professor, sentem também algum do desconforto que a Escola comporta, e cada vez mais se acentua de ano para ano. Aponta-se assim para uma desadequação do sistema actual de ensino, da instituição e do currículo à realidade social e cultural actual, notando que este foi iniciado num contexto muito mas muito diferente que o actual como resposta à produção, e que em linhas gerais, a mudança nos sistemas ocidentais foi quase nula, havendo apenas uma revisão de matérias, de formas de avaliação, de sistemas de organização…No essencial, o privilégio das disciplinas técnicas e científicas, de cálculo e aplicação directa ao dia-a-dia, remeteu as artes e a valorização de outras capacidades, ou tipos de inteligência, para um plano secundário, ou mesmo para a sua interpretação como comportamento anormal, fora da norma. A normalização de comportamentos e saberes, que está por base ao sistema actual, é uma das críticas fundamentais presentes neste texto, uma vez que estando desajustada das exigências do nosso tempo, impede o desenvolvimento na plenitude de todas as capacidades inerentes ao ser humano, nomeadamente a criatividade, o espírito crítico, a curiosidade, que o próprio professor depois quer valorizar, mas na opinião do Robinson, já aniquilou de vez. Esta visão, no entanto, parece-me, ainda que deva ser atendida e practicada pelos professores, constragida pela burocracia e inércia do sistema, que se desenvolve precisamente no sentido oposto - acrítico, formal, penalizador, formatador, quando avalia professores, não compreendendo que a falha e os menores resultados são estão apenas directamente ligados ao sistema de ensino e ao currículo (envolvem carências sociais e económicas) mas derivam em grande medida de uma vontade de estender a formação tendencialmente científica, valorizando regras e desempenhos estanques a toda a comunidade, rumo à alfabetização, leia-se formatação universal.
28 de Fevereiro
Foram lidas cartas e recolhidas algumas impressões acerca das várias categorias de perfil de professor. Como conclusão foi possível observar que são raros os casos onde há apenas uma vertente manifesta na actividade lectiva do docente, e que o seu perfil pode também variar conforme a disciplina em questão. Nomeadamente nomeou-se a disciplina de Desenho e Geometria Descritiva e Oficina de Artes, em que o programa e o próprio conteúdo requerem uma postura específica e distinta do professor. Separando artificialmente a transmissão de conteúdos da parte relacional entre professor-aluno, podemos facilmente entender que se pode incentivar, ou não, uma postura crítica, de interesse pela realidade – mas pode também o professor adoptar uma posição de menor envolvimento/comprometimento. Mas a componente afectiva e os conteúdos não podem separar-se e assim sendo todas as oportunidades podem e devem ser aproveitadas para construir e balizar as referências a fornecer aos alunos.
14 de Março
Foram apresentados os trabalhos universitários e pré-universitários, tendo sido abordadas as metodologias de trabalho a eles subjacentes, e a sua influência para os futuros projectos, ou desenvolvimento de capacidades.
Da apresentação destes trabalhos retirámos também que a sua avaliação por parte do professor não era explícita para os alunos, pois concluimos que muitas vezes os critérios de avaliação dos trabalhos não eram apresentados. Foi referido que hoje os critérios de avaliação são mais explícitos, e mais alargados – não se cingindo pela informação vertida, uma vez que é avaliado o processo de trabalho - e são factor de sucesso na aprendizagem.
Foi referido a propósito das memórias lectivas, o ambiente de aula, a relação com os docentes anteriores, que aproximava mais e levava ao trabalho. Foi abordada a exigência de alguns docentes, apesar da proximidade,, principalmente nos alunos de secundário.
Abordou-se também a maior rigidez ou menor, as novas adequações e modos de leccionar, nomeadamente no campo das artes visuais, e a capacidade dos alunos se adaptarem a novas metodologias.
O professor, deve ajustar o seu próprio ritmo de ensino, e convivência com a turma (nomeadamente com o arranque de novos trabalhos, novas matérias,
A própria condução da aula – se os trabalhos eram elaborados na aula, ou em casa. Isto aconteceu a alguns alunos no secundário e mais recorrentemente na faculdade (no meu caso).
Para haver uma melhor condução dos trabalhos e controlo de que o trabalho era efectuado na aula, poderia haver uma partição das tarefas em sub tarefas. Outra questão falada tem que ver com a apresentação dos enunciados, e a dificuldade de adequação dos exercícios ao nível etário dos alunos.
A propósito dos desenhos apresentados pela Sónia foi referido a transposição do processo com que foram elaborados para a actividade lectiva, quer para alunos do 7º ano quer para 12º ano.
Aula de 28 de Março
Na aula iniciamos uma breve conversa sobre Howard Gardner, e falámos na teoria das inteligências múltiplas.
Na apresentação da colega Catarina Sá, foi abordado um trabalho em que a aluna demonstrou uma autonomia no seu trabalho, pois sentiu que a professora não sabia ensinar os conteúdos. A Catarina aprendeu (revelou as fotografias) por si própria.
O trabalho universitário também composto por fotografias (7 séries de 5 fotos) no ambito da disciplina de autoretrato biográfico. Procurava-se uma metodologia de procura do imagem propria.
O metodo era tambem com mesas redondas, e a condução do professor era receptiva e flexível (sem imposição de prazos). Um trabalho intimista de conhecimento do eu, extravazando um pouco a pessoa real.
A avaliação do professor, na sua concepção, deveria corresponder a um “fez” ou “não fez”, discordando este das avaliações quantitativas ou qualitativas, nomeadamente no campo das artes, onde não será sempre lícito estabelecer critérios uniformes e universais.
Foi ainda referido o projecto de um investigador indiano, Sugata Mitra, que salientava a capacidade de autonomia e aprendizagem, curiosidade dos alunos, e do papel do professor como um condutor do conhecimento e introdutor das questões, apoiado nas novas tecnologias, que de um modo geral são utilizadas como ferramentas numa pratica didática ultrapassada, que não as potencia.
4 de Abril
O colega João apresentou o seu trabalho do 10º ano, no âmbito da disciplina de que consistia na representação de estados de espírito com interpretação não figurativa. Cada uma das folhas de papel foi trabalhada com materiais diferentes (grafite, colagem, pastel, lápis de cor, ecoline).Um bloco de estudos incorporava também pesquisa sobre os conceitos e iconografia, imagens de inspiração de aprofundamento do conceito, concorrentes para o resultado/ trabalho final.
Os sentimentos foram escolhidos pela professora do colega, estabelecendo limites (a selecção dos sentimentos) o que acabou por proporcionar mais conforto, e não dispersão para a execução do trabalho. O trabalho universitário do colega – proposta de identidade visual - consistiu na elaboração de uma série de peças no âmbito da disciplina de Design de Comunicação para os museus da politécnica.
A colega Carla apresentou o trabalho realizado na disciplina de Oficina de Artes, de intervenção no espaço escolar – projecto tridimensional de grandes dimensões com inspiração nos quadros do Miró – para o qual deveriam ter sido efectuados esboços e maquetes prévias, e mais tarde cartazes e convites para a exposição. A colega referiu que foi bom ter visto a obra concluida e aplicada e ter recebi o retorno positivo da comunidade escolar. Na avaliação do trabalho a colega. O seu trabalho universitário consistiu numa pintura a óleo, a partir de uma frase de poema de Pablo Picasso, para a disciplina de Pintura na Escola Superior de Educação de Setúbal. Iniciou-se por uma série de estudos que teriam de ser aprovados para se poder desenvolver a pintura a óleo. A aluna referiu a importância do trabalho, por saber que noutros cursos de formação profissional de professores, não havia uma vertente práctica com experimentação de várias tecnologias e materiais.
Sala de aula da Casa Pia de Lisboa, no Mosteiro dos Jerónimos, 1957.
9 Maio
Foram recriadas duas aulas segundo os paradigmas da educação artística. A primeira consistiu na aplicação do método estimográfico, na construção de formas geométricas básicas, tradição do que era o ensino do desenho desde a última parte do século XIX até o início do século XX, em Portugal – sendo referido o exame da quarta classe com a recriação de vasos e bilhas já desenhadas e que deviam ser exactamente copiadas.
A segunda aula recriada consistiu num método mais livre, em que a turma pintou em papel de cenário, sem qualquer definição prévia de tema, técnica ou composição um “mural”. Este método expressivo-psicoanalítico, relacionado com a corrente da Educação pela Arte, em que o sujeito é encarado como motor da sua própria a aprendizagem e desenvolvimento, com maior enfoque numa leitura e interpretação dos registos às emoções e sensações.
Na terceira aula, o exercício inseria-se numa corrente formal-cognitivista, uma vez que foram abordados os elementos formais para a realização de um retrato de um colega. Com menor enfoque na subjectividade, que acaba sempre por transparecer na produção artística, este processo valoriza sobretudo a aprendizagem de técnicas, elementos, códigos de representação, com uma visão da produção artística enquanto linguagem a ser apreendida.
Intervenção urbana em edifício na Av. Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, por "Os Gémeos".
23 Maio
Foram apresentadas imagens de graffitis pelos colegas e explicada a intencionalidade presente à escolha. Nsta aula considerou-se o grafitti um bom veículo abordar o conceito de cultura visual, proveniente de uma derivação de um modelo social reconstrucionista de ensino,e que pode constituir um novo paradigma a implementar no ensino das artes visuais. Neste sentido a minha escolha pessoal recaiu sobre uma imagem de um edifício intervencionado com pintura mural realizada pelos Gémeos, situado no Av. Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, por ter sido um dos primeiros da cidade com este tipo de intervenção, e pela sua temática. Ao situar-se numa zona que regista muito tráfego automóvel, este edifício comunica com eficácia a sua mensagem de contestação a um modelo de desenvolvimento ocidental que se impõe de forma global, precisamente numa das zonas comerciais e de escritórios onde o valor do terreno e dos mais caros de Lisboa. Esta imagem de todos os dias sem grandes pretenções de qualificação do edifício é no entanto forte e com muito impacto. Ao mesmo tempo o seu lado subversivo pode ser do agrado dos alunos – que também simpatizam com as técnicas de pintura mural e grafiti – e através dela podemos veicular conteúdos e incentivar aprendizagens e efectuar uma abordagem integral que lhe proporcione uma reflexão pessoal e situação perante a realidade, enquanto artístas e indivíduos. Pessoalmente, tal como referi em aula, desagrada-me que haja uma valorização excessiva deste tipo de intervenção, que como que “encobre” ou mascara a degradação dos edifícios, uma vez que estes visualmente são tratados, e não se aliam a uma verdadeira intervenção de reabilitação do património.

