Na aula foram abordados os dois primeiros textos sobre os quais se procedeu a uma reflexão conjunta, um debate sobre a sua interpretação e apresentação de exemplos e posturas pessoais, os quais enriqueceram a opinião individual de cada um dos alunos.
No segundo texto como problemática central parece-me que o autor advoga um não condicionamento dos alunos, de forma totalitária, no processo de ensino-aprendizagem. A parábola da pequena história com um monge budista e o seu aprendiz, revela-nos isto mesmo. Penso que devemos deixar uma boa margem de autonomia ao aluno na aprendizagem e no processo que conduzimos. Isto porque em ultima instância estamos a incentivar essa autonomia desde cedo, permitindo ao aluno corresponder aos desafios futuros, com mais competência.
Por outro lado jogamos também com as expectativas e a interpretação que muitas vezes não são coincidentes entre professor e aluno. Deve também este último tornar o seu processo significativo, e esse passo deve ser dado por si próprio.
Foram ainda abordadas as questões colocadas no enunciado dado pelo professor. Muitas destas são coincidentes e encadeadas, e assim como conclusão pessoal entendo que pode haver uma distinção entre o professor e o artista, mas que deve o indivíduo ter uma boa formação artística para poder com eficácia ensinar. Deve deter um bom conhecimento, seja qual for o nível no qual trabalha, e esse conhecimento deve em muito superar aquele cujo nível em que se pretende que os alunos se situem depois desse ciclo de aprendizagem.
O seu domínio artístico, ou científico ou técnico, pois todas estas facetas são integrantes do conhecimento, são fortalecidas no meu entender pela prática profissional, que não no ensino. Pois essa contaminação é útil para ser transportada para a escola. Se a carreira de professor é mais ou menos compatível com a prática artística, podemos aferi-lo caso a caso, gerindo também as expectativas que cada indivíduo constrói para si, ao logo dos anos. Sem dúvida a questão do tempo que dedica a uma actividade retira tempo à outra, mas devem coexistir pois complementam-se.
A prática artística pode conduzir, como deve, a uma busca e a uma evolução do indivíduo, tal com se quer que o professor se mantenha actualizado. Referi e concordo com uma postura do professor semelhante àquela que quer incutir nos alunos, com a busca e desenvolvimento contínuo. E para tal parece-me de todo coerente com o exercício da prática artística, em paralelo com a actividade docente.
Foi ainda referido que muitas vezes a formação artística dos professores não privilegiava a pesquisa e a formação técnica, nomeadamente nas escolas superiores de educação, bem com a nível universitário se encontram algumas lacunas relativas ao domínio de tecnologias ou relações com o mercado, e noções de inserção da arte na sociedade. Exige-se do professor uma contextualização da arte em contexto real, e não um mero desenvolvimento de teorias, que depois enviesam e enfraquecem as capacidades dos alunos para se inserirem em círculos fora dos estabelecimentos de ensino.
No meu caso pessoal, tendo uma formação que não se relaciona directamente com os programas e disciplinas que tenho leccionado, encontro pontos fulcrais de abordagem artística no percurso académico na licenciatura em arquitectura, ainda que encontre lacunas que deverei colmatar, e que devo desenvolver agora. Uma capacidade de organização, de aquisição de método de trabalho, e depois mesmo com a prática profissional uma relação com o contexto real que posso relatar, e que me permite encarar o ensino de uma outra forma. Considero assim bastante positivo que a formação dos professores seja específica em determinada área, e que depois seja enriquecida com abordagens de pedagogia e de didática.
Um outro aspecto que é abordado nos texto e que já foi referido – o das expectativas – diz respeito à satisfação pessoal que um artista pode encontrar no ensino. A lógica de ter profissionais não vocacionados para a práctica lectiva, e que encontram na docência uma oportunidade laboral, foi incentivada no passado por força da abertura do ensino, da sua massificação, mas também por alguma incúria das entidades responsáveis. Esta é sem dúvida uma profissão de recurso para alguns. No meu caso pessoal foi uma primeira experiência positiva, e um prévio descontentamento com as oportunidades laborais, que me levaram à docência, mas há sempre, com ocorreu comigo, uma possibilidade de encontro com os valores e perfil pessoal, que nos surpreendem e acabam por levar a um gosto pela profissão, pese a sucessiva descredibilização que as instâncias políticas desferem na classe, e a sua pouca remuneração. Será por este meio que se filtram os que realmente não têm vocação? Não creio.
Encontro valores de dedicação ao outro, de esperança na construção de um futuro e de uma sociedade melhores, na actividade docente, e estas só por si são uma verdadeira dádiva, que todos os dias podemos receber. Muitas das dúvidas, no meu caso pessoal, são, colocam-se por uma instabilidade laboral e pela falta de condições que são dadas para que se possa efectivamente trabalhar com rendimento, com resultados sólidos.
Creio que é muito fácil identificar um bom professor, que tenha alguma paixão, gosto, dedicação, preste-se-lhe alguma justiça e respeito. Assim penso que o dilema entre a prática lectiva e a prática artística não são uma verdadeira questão para aqueles que estão no ensino, ou que mais tarde encontram no ensino uma actividade que os preenche como indivíduos. A questão prende-se com a gestão de tempo entre as duas actividades, mas apenas uma rouba tempo a outra, se considerarmos uma menor que outra, e não as entendermos como complementares. Ambas requerem capacidades diferentes.
A capacidade de comunicar a nossa experiência é sem dúvida condição para um bom desempenho de qualquer professor, lembremo-nos que estamos a trabalhar para os alunos, e o nosso trabalho apenas tem sentido se possibilitarmos, pesem todos os contratempos de vário tipo, a melhor aprendizagem que nos seja possível. À nossa experiência artística some-se uma capacidade de estabelecer uma boa relação de afectos, desafio, inteligência com os alunos.
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