segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Reflexão de 26 de Setembro - DAP II

Na aula foi abordado o texto 3 – “Teacher as artis & artist as teacher” de Jerome Hausman – que serviu para a turma discutir algumas questões nomeadamente a ligação entre a afectividade e a prática lectiva em Artes Plásticas. Referiu-se que o ensino da Arte possibilitaria uma maior exploração das emoções, e uma própria reflexão sobre o “ser” interior de cada um. Parece-me que a boa relação entre aluno e professor é sempre desejável e essencial para poderem ser veiculados conteúdos, princípios, valores, que fazem parte integrante da aprendizagem. Tal não é incompatível nem difícil de estabelecer no ensino de outras disciplinas, mas tratando-se do ensino de arte, encontramos aí um terreno fértil para o seu desenvolvimento. Seja encarado o ensino artístico como um conhecimento da realidade, história – cultura visual e artística – e não o mero treino de capacidades técnicas. Este é o essencial da realização e transformação que ocorre no aluno, através a arte, e que deve ser acompanhada de ferramentas, para que possa este materializar as suas ideias e concepções do mundo.
A propósito desta materialização foi referido também que esta é uma das dificuldades frequente no ensino das artes, pois o imaginário que o aluno concebe na maioria das vezes não acompanha a sua capacidade técnica. Como se pode ler no texto: The “clearly formed image” in one’s mind is often times the source of frustration when the medium being used does not lend itself to that “image”». Há portanto que lidar com o erro pois este é frequente e forte inibidor do desenvolvimento e interesse do aluno, sobretudo em disciplinas artísticas. Para tal contribui a crença do “jeito” ou natural aptidão, que deve ser desde cedo ser contrariada, quer pelos reforços positivos e aceitação das nossa incapacidades iniciais, ou como em outras disciplinas, através da implementação de uma cultura de esforço, de treino, de conhecimento do que foi feito, e da sua interpretação / contextualização – como referi a propósito do manifesto pessoal elaborado para a disciplina de Didáctica das Artes Plásticas I. Para tal também deve o ensino artístico ser encarado como um processo em que as imagens que se visualizaram, discutiram e que se formam um corpo de conhecimentos que contribui para o desenvolvimento da ideia individual, com crítica pessoal e que vem numa fase seguinte a ser trabalhadas e materializadas. Unindo-se a teoria com a prática, e entendendo que o resultado final depende quer de uma componente quer de outra, e que ambas são fulcrais para o resultado final - e apenas tem sentido juntas - o aluno chega a um resultado significativo porque pessoal e fruto de reflexão e transformação pelos suportes. Como refere o autor, este processo é essencial pois a matérias das ideias não vai ser a matéria dos resultados: «The final image is usually not what may have been envisioned at the start. After all, the image “painted” within one’s mind has been created in a different “medium” than is the case when one uses paints and brush.»(p.16)

Outro dos pontos que se relacionam com esta capacidade que devemos incutir nos alunos, será a prática artística do professor – tema retomado no texto da aula seguinte. O processo artístico, deve na minha opinião ser encarado com um desenvolvimento do docente, que o ajuda no seu desempenho perante os alunos, estando assim a ele próprio desenvolver um processo de busca e confronto consigo e com o real – o mesmo que ele próprio vai suscitar em aula. Deve o professor, para mais solidamente leccionar, recriar e adoptar ele as práticas e processos, que quer ver desenvolvidos com os alunos, bebendo estes do seu exemplo de postura perante arte e conhecimento e geral – o professor desafiador desafia-se a ele próprio. Como é referido no texto “The teaching of art necessarily involves a demonstration by the teacher of the very values and attitudes that are being encouraged” (p.15).

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